Liga dos Creators
Pular para o conteúdo
Blog
Para creators

Como ser UGC creator: guia para começar do zero

Publicado em 17 de outubro de 2026 · Atualizado em 17 de outubro de 2026

Resposta rápida

Para ser UGC creator, escolha um nicho, grave de três a seis vídeos de portfólio com o celular usando produtos que você já tem e reúna tudo em um link com seus serviços. Depois, procure marcas que anunciam em vídeo e mande propostas com uma ideia concreta. Seguidores não são exigência: a marca paga pela produção e pelo direito de usar o vídeo nos canais e anúncios dela.

Para ser UGC creator, você não precisa de muitos seguidores nem de equipamento caro. Precisa de um celular, de três a seis vídeos de portfólio bem feitos e de um método para encontrar marcas, mandar propostas e entregar no prazo. A marca paga pela produção do vídeo e pelo direito de usá-lo nos próprios canais e anúncios.

Este guia mostra o caminho do zero ao primeiro job: o que faz um criador de conteúdo UGC, qual equipamento basta, como escolher o nicho, quais vídeos gravar primeiro, onde achar marcas, como pensar no preço, os erros mais comuns e um plano de 30 dias para colocar tudo em prática.

O que é UGC creator e qual a diferença para influenciador

UGC é a sigla em inglês para user-generated content, ou conteúdo gerado pelo usuário. No começo, o termo se referia ao que clientes publicavam por conta própria, como uma resenha ou um vídeo abrindo uma compra. Hoje, UGC creator é a pessoa contratada para produzir vídeos e fotos com essa cara de conteúdo real: gravados no celular, com linguagem de gente comum.

A diferença para o influenciador está no que a marca compra. Do influenciador, ela compra alcance: a publi, como é chamado o post patrocinado, vai para o perfil dele e fala com a audiência dele. Do UGC creator, ela compra o conteúdo: o vídeo é entregue à marca, que publica no próprio perfil, no site, na loja virtual ou em anúncios pagos.

  • Onde o vídeo vai ao ar: no perfil do influenciador, no caso da publi; nos canais e anúncios da marca, no caso do UGC.
  • O que pesa na escolha: audiência e engajamento, para o influenciador; qualidade, naturalidade e versatilidade dos vídeos, para o UGC creator.
  • Seguidores: importantes na publi; dispensáveis na maioria dos jobs de UGC.
  • Como o preço é formado: na publi, pesa o alcance; no UGC, pesam a produção e os direitos de uso, isto é, por quanto tempo e em quais canais a marca pode usar o vídeo.

Muita gente faz as duas coisas. Só lembre que, se o acordo incluir postar no seu perfil, o conteúdo é publicidade e precisa ser sinalizado. A nova edição do guia do CONAR para influenciadores, publicada em maio de 2026, indica as ferramentas de conteúdo comercial das próprias plataformas ou termos como #publi e #publicidade, visíveis sem que a pessoa precise abrir a legenda.

Por que as marcas estão contratando UGC

A procura tem números recentes:

  • No relatório de 2026 da Collabstr, marketplace internacional em que cerca de dois terços das colaborações são dos EUA, as campanhas de UGC passaram de 15% para 35% das colaborações da plataforma em 2025. Mais de 40% delas vieram de empresas que gastaram menos de US$ 5 mil.
  • Em pesquisa da PhotoShelter com 397 profissionais de marketing, divulgada pela eMarketer em outubro de 2025, 36% disseram que o UGC é "extremamente importante" para a estratégia nas redes sociais. Só 2% disseram o mesmo sobre conteúdo gerado por IA.
  • Segundo dados da própria Meta, citados pela eMarketer em dezembro de 2025, os anúncios de parceria, que usam conteúdo de creators, tiveram em média custo por aquisição 19% menor e taxa de cliques 13% maior que os formatos padrão. Custo por aquisição é quanto a marca paga, em média, por venda ou cadastro; taxa de cliques é a porcentagem de pessoas que clicam no anúncio.
  • No Brasil, o relatório Consumo e Influência Digital 2026, da Influency.me com a Opinion Box, mostrou que 84% dos entrevistados valorizam mais vídeos feitos por pessoas, mesmo com imperfeições, do que conteúdo gerado por IA.

Em resumo: as marcas precisam de muitos vídeos com cara de gente de verdade, principalmente para anúncios. É esse espaço que o UGC creator ocupa.

Equipamento mínimo para começar

O celular que você já tem provavelmente basta. A central de ajuda do TikTok para anunciantes recomenda vídeos na vertical, no formato 9:16, com resolução mínima de 720p. Gravar em 1080p (Full HD) já deixa você com folga.

O que faz diferença de verdade, em ordem de prioridade:

  1. Luz: comece com a luz de uma janela, de frente para você. Depois, se quiser, invista em um ring light (luz em formato de anel) ou em um painel de LED simples.
  2. Áudio: um microfone de lapela, com ou sem fio, é o melhor primeiro investimento. Eco e ruído derrubam até um vídeo bem gravado.
  3. Estabilidade: um tripé com suporte para celular, para gravar sozinho e manter o enquadramento.
  4. Cenário: cantos limpos da casa, como a bancada da cozinha, a pia do banheiro ou a mesa de trabalho, que combinem com o produto.
  5. Edição: um editor no celular, como o CapCut, resolve cortes, legendas e versões.

Câmera profissional e estúdio podem esperar. O próprio TikTok sugere um estilo "faça você mesmo", pouco polido, para o anúncio combinar com o conteúdo dos usuários.

Como escolher seu nicho de UGC

Nicho é o tipo de produto e de público em que você se especializa. Ele ajuda a marca a confiar em você e ajuda você a montar um portfólio coerente. Na pesquisa Consumo & Influência 2026, da YOUPIX com a Nielsen, 48% dos entrevistados apontaram creators de nicho ou especialistas como os perfis que mais influenciam suas decisões de compra.

Para escolher, responda a quatro perguntas:

  1. Que produtos você já tem e usa? Eles serão seus primeiros vídeos de portfólio.
  2. Em que assunto você tem credibilidade? Quem tem cachorro fala bem de pets; quem cozinha todo dia fala bem de gastronomia.
  3. As marcas desse nicho anunciam em vídeo? Pesquise na Biblioteca de Anúncios da Meta, ferramenta pública que mostra os anúncios ativos no Facebook e no Instagram, e veja se há muitos vídeos com pessoas falando para a câmera.
  4. Você consegue gravar nesse nicho toda semana? É preciso ter produto e cenário à mão.

Exemplos de nichos: beleza, moda, gastronomia, fitness, pets, tecnologia, maternidade, turismo e casa e decoração. Você não precisa ficar preso a um só. Escolha um principal e, se quiser, um secundário que converse com ele, como beleza e moda ou casa e pets.

Seus primeiros vídeos de portfólio

Sem portfólio, a marca não tem como avaliar seu trabalho. A boa notícia é que dá para montar um com produtos que você já tem em casa, sem parceria nenhuma. Comece com três a seis vídeos e chegue a um número entre 6 e 12 com o tempo.

Varie os formatos para mostrar versatilidade:

  • Unboxing: abrir a embalagem e mostrar a primeira impressão.
  • Review honesto: pontos fortes e fracos de quem usou de verdade.
  • Tutorial ou demonstração: como usar o produto, passo a passo.
  • Problema e solução: uma dor do dia a dia e como o produto resolve.
  • Antes e depois: só quando o resultado for real e visível.
  • Depoimento: você falando para a câmera, como se contasse para uma amiga.

Use uma estrutura simples: gancho, problema, produto em uso, prova e CTA, a chamada para ação, como "toque no link" ou "use o cupom". O gancho é a frase ou a imagem que prende a atenção no começo. O TikTok recomenda priorizar o gancho nos primeiros 6 segundos e apresentar a proposta do vídeo nos primeiros 3.

Mostre o produto na vida real. No relatório da Influency.me com a Opinion Box, 52% dos entrevistados disseram esperar ver o produto inserido na rotina nos vídeos, e 64% valorizam quando o creator aponta pontos negativos do produto.

Para se inspirar, veja estas ideias de vídeos UGC por nicho. Quando tiver os vídeos, organize tudo com o passo a passo de como montar um portfólio UGC.

Duas regras de ouro. Entregue tudo na vertical, em uma versão com legenda e outra sem, e sem música protegida por direitos autorais. E deixe claro que são vídeos de portfólio, sem parceria com a marca do produto.

Onde encontrar marcas que contratam UGC

As melhores oportunidades costumam estar em empresas que precisam de muitos vídeos e não têm equipe para gravar tudo:

  • Marcas que já anunciam em vídeo: se uma marca tem vários anúncios ativos na Biblioteca de Anúncios da Meta, ela precisa de vídeos novos com frequência.
  • Pequenas marcas e lojas virtuais: os dados da Collabstr mostram que boa parte da demanda por UGC vem de empresas com orçamento pequeno.
  • Negócios locais: restaurantes, lojas, academias e pousadas da sua cidade precisam de vídeos para as redes e nem sempre têm quem grave.
  • Agências de marketing: atendem várias marcas e podem precisar de vídeos em volume.
  • Marketplaces de creators: na Liga dos Creators, por exemplo, você monta uma vitrine com portfólio e serviços, aparece nas buscas de marcas por nicho e cidade e pode se candidatar às oportunidades abertas por marcas.
  • Plataformas das redes sociais: no TikTok One, plataforma do TikTok para parcerias com marcas, a central de ajuda pede idade mínima de 18 anos e, para participar de projetos, pelo menos 1.000 seguidores, entre outros requisitos que variam. A plataforma também precisa estar disponível no seu país. O Instagram tem um marketplace de criadores parecido. Essas opções servem mais para quem também publica no próprio perfil.

Na abordagem direta, seja breve: diga quem você é, por que escolheu aquela marca, sugira uma ideia concreta de vídeo e mande o link do portfólio. O artigo sobre UGC sem seguidores traz um modelo de mensagem pronto e mostra como decidir entre permuta e trabalho pago.

Quanto cobrar por um vídeo UGC no começo

O preço de um vídeo UGC tem duas partes: a produção (ideia, roteiro, gravação e edição) e os direitos de uso. Em cima disso entram extras, como exclusividade (não trabalhar com concorrentes por um período), conteúdo bruto (os arquivos sem edição), rodadas de ajustes além do combinado e urgência.

Por isso, não existe valor único. Um vídeo para o perfil orgânico da marca por três meses vale menos que o mesmo vídeo usado em anúncios por um ano. O passo a passo do cálculo está no guia de como precificar um vídeo UGC. Veja também o guia de preços de UGC.

Antes de aceitar qualquer job, combine por escrito:

  • quantos vídeos, de quantos segundos e em quantas versões;
  • quantas rodadas de ajustes estão incluídas;
  • prazo de entrega e forma de envio;
  • direitos de uso: prazo, canais e se valem para anúncios;
  • valor, forma e data de pagamento.

Muitas empresas pedem nota fiscal para pagar. Converse com um contador para entender qual formalização faz sentido para você, porque cada regime tem regras sobre as atividades permitidas.

Erros comuns de quem está começando no UGC

  1. Vídeo com cara de comercial: na pesquisa da YOUPIX com a Nielsen, 44% dos consumidores disseram que parecer um comercial tradicional prejudica a credibilidade, e 49% citaram o exagero nos benefícios do produto.
  2. Gancho fraco: abrir com "oi, gente" ou com a logo da marca desperdiça os segundos mais importantes.
  3. Áudio ruim: eco, vento ou barulho de fundo derrubam um vídeo bom.
  4. Ceder direitos de uso sem cobrar: liberar o vídeo para anúncios por tempo indeterminado, pelo preço de um vídeo orgânico, é deixar dinheiro na mesa.
  5. Trabalhar sem escopo por escrito: sem combinado, os ajustes nunca acabam.
  6. Portfólio sem foco: vídeos na horizontal, de nichos sem relação entre si ou sem a melhor peça no topo.
  7. Prometer o que o produto não entrega: fale só do que você testou e siga as alegações aprovadas pela marca, principalmente em beleza, suplementos e saúde.
  8. Sumir depois da proposta: um follow-up (mensagem de acompanhamento) educado, alguns dias depois, faz parte do processo.

Plano de 30 dias para conseguir o primeiro job de UGC

O plano abaixo considera cerca de uma hora por dia. Ajuste ao seu ritmo, mas mantenha a ordem: primeiro o portfólio, depois a prospecção.

Semana 1: base (dias 1 a 7)

  1. Escolha um nicho principal e liste os produtos que você já tem em casa.
  2. Separe 20 anúncios em vídeo do seu nicho na Biblioteca de Anúncios da Meta e anote os ganchos e formatos que se repetem.
  3. Organize luz, tripé e microfone e grave dois vídeos de teste, sem pressão.
  4. Assista aos testes no celular e anote o que melhorar em luz, som e enquadramento.

Semana 2: portfólio (dias 8 a 14)

  1. Grave de quatro a seis vídeos em formatos diferentes, com um roteiro curto para cada um.
  2. Edite cada vídeo em duas versões: com legenda e sem legenda.
  3. Monte o portfólio em um link fácil de abrir no celular. Uma opção é criar sua vitrine grátis em ligadoscreators.com.br/@seunome, que no plano grátis aceita até 12 itens de portfólio e até 3 serviços com preço.
  4. Descreva seus serviços com o que está incluso: número de vídeos, prazo, rodadas de ajustes e direitos de uso.

Semana 3: prospecção (dias 15 a 21)

  1. Liste de 30 a 50 marcas e negócios do seu nicho que anunciam em vídeo ou que você admira.
  2. Encontre o contato certo: e-mail de marketing no site, perfil do responsável no LinkedIn ou a mensagem direta da marca.
  3. Mande de cinco a dez mensagens personalizadas por dia, sempre com uma ideia concreta de vídeo.
  4. Candidate-se a demandas abertas em marketplaces de creators.

Semana 4: follow-up e primeira entrega (dias 22 a 30)

  1. Faça um follow-up de três a cinco dias úteis depois de cada mensagem sem resposta.
  2. Negocie com escopo claro e confirme tudo por escrito antes de gravar.
  3. Entregue no prazo, com as versões combinadas, e pergunte se pode usar o vídeo no seu portfólio.
  4. Peça um retorno à marca e continue gravando um vídeo novo de portfólio por semana.

Se o primeiro job não vier em 30 dias, não desista. Revise o portfólio, troque os ganchos das mensagens e aumente o número de contatos. No começo, constância na prospecção costuma fazer mais diferença do que um vídeo perfeito.

Fontes

Perguntas frequentes

Crie sua vitrine grátis

Criar vitrine

Leia também